A liberdade que eu não quero

A mulher cristã é total e completamente livre, não pela própria vontade, mas pela ação libertadora de Cristo e do seu evangelho. 

Na era da informação e das redes sociais muito se fala em liberdade. A sociedade tem pregado como nunca à cerca desta palavra, e movimentos têm se levantado para defendê-la. Falam, sobretudo, da liberdade da mulher. Mas o que é, de fato, a liberdade? Quais aspectos são capazes de definir com clareza este conceito?

Na percepção do mundo, uma mulher livre é exatamente o oposto daquilo que as sagradas escrituras nos instruem a ser. A partir deste estereótipo, uma mulher cristã que viva piedosamente, é vista pela sociedade como uma mulher aviltada, inepta e até mesmo limitada. Para o mundo, nosso valor tem sido ofuscado pelo evangelho e somos vítimas de um sistema religioso que nos oprime. Aqueles, porém, que pela ação do Espírito Santo, foram agraciados com a compreensão do evangelho, tendo sido alcançados por Cristo Jesus, sabem muito bem que esta é uma visão completamente equivocada e distorcida.

A mulher cristã é total e completamente livre, não pela própria vontade, mas pela ação libertadora de Cristo e do seu evangelho.  A palavra de Deus nos diz em João 8:32 que ao conhecermos a verdade, seríamos libertos por ela.  Isso porque até que tenhamos alcançado o entendimento do evangelho e da graça de Deus, nós somos escravas do pecado.

Romanos 6:17,18 “Mas graças a Deus que, tendo sido servos do pecado, obedecestes de coração à forma de doutrina a que fostes entregues. E, libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça.”

A mulher cristã possui a paz de poder exercer a sua liberdade de uma maneira saudável e genuína. As escolhas que se apresentam, não vêm mais carregada pelo prazer no pecado. Ao contrário do que acontecia antes de sermos resgatadas por Cristo, quando a nossa escolha pendia sempre para a carnalidade, agora somos impulsionadas pela ação do Espírito Santo a viver de maneira agradável a Deus e a andarmos na luz.

Efésios 5:8,9 “Pois, no passado éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor. Assim, andai como filhos da luz, porquanto, o fruto da luz consiste em toda bondade, justiça e verdade;”

Naturalmente, nós não possuímos a capacidade de escolher aquilo que é aprazível a Deus (por consequência, escolher o que é bom para nós, pois a vontade de Deus é boa, perfeita e agradável). Toda a nossa inclinação era para o mal, e dada a nossa natureza caída, não éramos capazes de enxergar as coisas com clareza. Tínhamos a falsa impressão de sermos livres, de ter a capacidade da escolha, quando na verdade, éramos dominadas pelo pecado, de quem éramos servas.

Romanos 7:17 a 19 “Nesse sentido, não sou mais eu quem determina o meu agir, mas sim o pecado que habita em mim. Porque sei que na minha pessoa, isto é, na minha carne, não reside bem algum; porquanto, o desejar o bem está presente em meu coração, contudo, não consigo realizá-lo. Pois o que pratico não é o bem que almejo, mas o mal que não quero realizar, esse eu sigo praticando.”

Segundo o filósofo René Descartes, “age com mais liberdade quem melhor compreende as alternativas que precedem a escolha. Dessa premissa, decorre o silogismo lógico de que, quanto mais evidente a veracidade de uma alternativa, maiores as chances de ela ser escolhida pelo agente. Nesse sentido, a inexistência de acesso à informação afigura-se óbice à identificação da alternativa com maior grau de veracidade.”¹

Até conhecermos a Cristo, não tínhamos outra alternativa de escolha senão o pecado. A mesma sociedade que prega a liberdade, nos impunha a todo custo aquilo que popularmente é “o melhor”. A maneira de nos vestir era ditada pela moda, o corpo perfeito era padronizado pela opinião da maioria, um comportamento sóbrio e tradicional poderia ser constrangedor, por ser visto como retrógado e comumente censurado. Tudo isso então, fazia com que tivéssemos a falsa sensação de possuir liberdade de escolha, quando, na verdade, tínhamos sido sugestionadas desde a infância a um determinado padrão de atitude e comportamento estabelecido como aceitável pela maioria. Agir como gostaríamos quase sempre leva à rejeição, e éramos então impulsionadas a abdicar do nosso verdadeiro ‘eu’ em troca de aceitação.

Ao sermos resgatadas das trevas para a maravilhosa luz de Cristo, nossos olhos espirituais foram abertos, e deixamos para trás o jugo da servidão do pecado, passando a compreender os planos de Deus para nós. Tudo o que antes era prioridade, deixou de ser. Todo nosso apego às coisas deste mundo, que nos atribulavam e feriam, foi dando espaço à profunda paz que só pode ser experimentada em Cristo. Somos agora fruto da ação do Espírito Santo, e à medida que buscamos a santificação e amadurecemos espiritualmente, compreendemos toda a banalidade das coisas terrenas, passando a priorizar o que é espiritual e eterno. Compreendemos que não precisamos da aceitação desse mundo mau. Não precisamos de popularidade, nem da aprovação da sociedade. Estamos aqui para glorificar a Deus com as nossas atitudes, e a nossa alma anseia por assim fazê-lo. Nosso espírito se alegra em buscar o que é eterno, abandonando nossas práticas carnais.

Gálatas 5:1 “Estai, pois, firmes na liberdade com que Cristo nos libertou, e não torneis a colocar-vos debaixo do jugo da servidão.”

Entendemos, então, que não precisamos brigar por um direito que já nos pertence… nós já somos livres! O sacrifício de Cristo na cruz nos libertou, e hoje podemos nos deliciar na sua graça. Uma vez convertidas por Jesus, somos capazes de entender a grandiosidade do dom de ser mulher, o dom de ser feminina. Deus nos mostra o quanto somos amadas por Ele, e que exercer a nossa feminilidade piedosamente não é uma carga, mas uma bênção indescritível. Ao compreendermos o plano divino na criação da mulher, nos desprendemos de determinados conceitos que regem a sociedade, através da percepção do verdadeiro sentido da feminilidade e da aceitação da nossa própria natureza, experimentando, a partir daí, uma liberdade genuína. Lutar contra aquilo que Deus criou só nos provocava dor e sofrimento. Aceitar, porém, com alegria na alma, esse privilégio que nos foi dado, nos faz vivenciar a plenitude de ser mulher. Somos por natureza, doces, amáveis, sensíveis, delicadas, entusiasmadas com a simplicidade das coisas… somos graciosas. O que não exclui a nossa força, garra, fibra e determinação. Deus nos capacita com todos esses maravilhosos dons, e quando aprendemos a exercê-los, compreendemos o que é a verdadeira liberdade.

Não somos mais escravas da moda sensual, da opinião do mundo de que “o que é belo é para se mostrar…”. Temos a liberdade de escolher peças de roupa que refletem toda doçura plantada por Cristo em nós, sem nos preocupar em atrair olhares para nós mesmas. Nossa preocupação é em apontar para a glória de Cristo.

Não somos mais escravas dos nossos desejos carnais, temos a liberdade de escolher nos guardar para um amor verdadeiro que um dia nos presenteará com uma vida plena no matrimônio abençoado por Deus. Não nos importamos mais com as pressões deste mundo que nos qualifica como retrógradas. Sim… nós podemos escolher, e a opinião do mundo já não nos incomoda mais.

Nós somos livres para nos dedicar aos estudos e construir uma linda carreira de sucesso profissional, fazendo a diferença na nossa profissão e levando o brilho de Cristo no nosso ambiente de trabalho. Mas também somos livres para, se quisermos, abdicar disso em prol de viver para nossa família, o que não diminui nosso valor. O mundo tenta reduzir o conceito de mulher bem-sucedida ao sucesso profissional, o que é um equívoco. Mulher bem-sucedida é a mulher que encontrou a felicidade na sua essência; para nós, a felicidade está em ser de fato uma serva de Cristo, e ter sucesso é florescer onde Deus determinou.

Como seres humanos e também como mulheres, estaremos sim, sujeitas a sofrer injustiças pelo caminho. Jesus nos alertou de que teríamos aflições, e o mundo é mesmo injusto. Vivemos numa nação bem mais igualitária quando comparada à realidade do oriente médio, por exemplo; mas ainda assim, poderemos ser privadas de nossos direitos. Diante disso, não devemos nos calar ou curvar. Mas a nossa forma de batalhar deve estar pautada na palavra de Deus. Nós não dependemos de ideologias e discursos falhos que vão na contramão do evangelho. É lícito e louvável batalharmos por melhorias nas leis da nossa nação, desde que tal luta seja conduzida de maneira honrosa, decente e digna. Lutamos contra as injustiças fazendo a diferença, denunciando o que precisa ser denunciado, nos impondo diante das negativas, demonstrando nosso valor através de um caráter transformado. Superamos nossos limites utilizando o intelecto, o esforço e principalmente a oração, sem nos esquecer de que o nosso exemplo é Cristo. Não é nos ridicularizando de maneira vexatória, que conquistaremos o espaço que precisa ser conquistado. É através da perseverança, trabalho duro, inteligência, caráter, e força de vontade. É assim que enxergarão nossos valores. Gritar não fará com que nos ouçam, mas a nossa postura sim, falará e se fará ouvir. As injustiças a que estamos sujeitas aqui se devem ao pecado, e é com a graça de Deus que vencemos neste mundo injusto. Somos servas de Cristo, e uma postura serena, elegante e sóbria, transmite silenciosamente a dimensão do nosso valor. A nossa feminilidade é também a nossa arma, é o nosso instrumento de transformação do meio em que vivemos.

1 Pedro 2:16 “Considerando que sois livres, não useis a liberdade como pretexto para fazer o que é mal, mas vivei como servos de Deus.”

Mais do que todos estes aspectos da nossa liberdade, porém, temos o mais importante: o de servir a Deus. Nossa alma é livre para louvar ao Criador, e para fazer do nosso corpo um altar de adoração. Somos livres para viver para Ele, graças a Cristo que nos libertou. Enquanto vivermos neste mundo estaremos sujeitas às tentações e suscetíveis aos erros, mas o Espírito Santo cuidará de nos manter neste caminho maravilhoso que nos levará à nossa Pátria. Vivamos, então, de maneira a transparecer o brilho de Cristo em nós. Exerçamos a nossa liberdade conscientes de quem somos, e do alto preço que por nós foi pago. Busquemos agradar a Deus nas mínimas coisas, honrando o evangelho ao não nos curvar a este mundo.

1 Coríntios 6:19,20  “Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus.”

Abracemos com amor a nossa liberdade, fazendo bom uso dela. Abracemos, porém, a verdadeira liberdade. Essa liberdade de ser mulher, de ser feminina, de conquistar nosso espaço com a humildade de um verdadeiro cristão. A liberdade de espalhar doçura e de transbordar amor, com singeleza e serenidade. Dessa liberdade eu me orgulho, e nessa liberdade eu me alegro. Cumprir a vontade do pai, é a maneira mais autêntica de exercê-la, pois fomos criadas para o louvor Dele.

Da liberdade que o mundo prega, porém, quero distância. Essa que dizem querer me garantir, quando na verdade tentam me impor. Essa liberdade fictícia que nos aprisiona nas cadeias do pecado e nos cega a alma… Desta, eu não preciso. Disso, eu abro mão. Motivo de nos alegrar é que, sendo escravas de Cristo, tornamo-nos, então, livres deste mundo, graças a Deus.

Romanos 6:22   “Contudo, agora libertos do pecado, e tendo sido transformados em escravos de Deus, tendes o vosso fruto para a santificação, e por fim a vida eterna.”

 

Marlene Notelio de Morais

¹ https://pt.wikipedia.org/wiki/Liberdade

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